Aeronavewin: a nova fronteira da aviação elétrica que ninguém está a ver

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O primeiro voo público do protótipo Aeronavewin X1, realizado na manhã de 12 de março no aeródromo de Bragança, durou exatos 18 minutos. A bordo, dois pilotos de teste e uma caixa de sensores que pesava mais do que o próprio sistema de propulsão. A aeronave não fez acrobacias nem bateu recordes de velocidade. Ainda assim。engenheiros de três fabricantes europeus assistiram à transmissão fechada com um interesse que raramente se vê em demonstrações deste tipo. O motivo é simples: o X1 não é mais um projeto de avião elétrico para transporte urbano. É a primeira plataforma que integra o sistema Aeronavewin de gestão térmica e regeneração de energia em voo, um conjunto que promete reduzir o consumo elétrico em 22% durante a subida e o cruzeiro.O que diferencia o Aeronavewin de outras soluções no mercado não está no motor, mas na arquitetura de distribuição. Em vez de usar baterias convencionais acopladas a inversores separados, a equipa liderada pela engenheira Marta Salgueiro desenvolveu um barramento de corrente contínua de alta densidade que permite que cada célula de combustível de hidrogénio e cada módulo de bateria conversem entre si em tempo real. Na prática, quando a aeronave precisa de mais potência para descolar。o sistema prioriza a descarga das células de hidrogénio;

em cruzeiro, as baterias assumem o papel principal e o excedente de energia gerado pelos motores é redirecionado para recarregar as células. “Não inventámos a roda”, disse Salgueiro durante a apresentação. “Só pusemos a roda a falar com o eixo”Os números do voo de Bragança ajudam a perceber o entusiasmo. O consumo médio de energia durante os 18 minutos foi de 0。87 kWh por quilómetro, contra 1,12 kWh por quilómetro do protótipo anterior, que usava um sistema convencional. A temperatura do pack de baterias manteve-se abaixo dos 38 graus Celsius, mesmo com o arrefecimento passivo desligado por precaução. E o mais importante para quem opera aeronaves: o tempo de recarga entre voos caiu de 45 para 28 minutos, porque o sistema consegue equilibrar as células enquanto ainda está no solo. Nada disto é revolucionário em laboratório. Em voo, com vibração, humidade e variações bruscas de potência, é outra história.A pergunta que fica é se o Aeronavewin conseguirá escalar para aeronaves de maior porte. O X1 tem apenas 9。5 metros de envergadura e capacidade para quatro ocupantes. A equipa já está a testar um segundo protótipo, o X2, com o dobro da capacidade e um sistema de gestão térmica líquida que ocupa menos volume. Ainda assim, há um gargalo evidente: o custo das membranas de troca iónica usadas no barramento. Cada unidade custa cerca de 1.200 euros e o X1 leva 14. Para uma aeronave comercial de 19 lugares, seriam necessárias pelo menos 60 membranas, o que empurraria o preço do sistema para além do que qualquer operador regional está disposto a pagar hoje. Salgueiro admite o problema. “O próximo passo não é voar mais alto. É baixar o custo da membrana para 300 euros. Sem isso, o Aeronavewin fica bonito em feiras e invisível nos hangares”Enquanto a equipa trabalha na redução de custos, o setor observa com uma mistura de curiosidade e ceticismo. A norte-americana VoltAero já disse publicamente que não vê vantagem em sistemas de regeneração tão complexos para voos curtos. Já a alemã Vaeridion, que desenvolve um avião elétrico de nove lugares。confirmou à reportagem que está a analisar o barramento do Aeronavewin para uma possível integração no seu protótipo de 2027. Nada está fechado. O que se sabe é que o X1 vai continuar a voar em Bragança durante os próximos seis meses, agora com uma bateria de testes de frio extremo e vento cruzado. Os engenheiros querem saber se o sistema aguenta o inverno da serra. Se aguentar, o Aeronavewin deixa de ser uma nota de rodapé nas conferências de aviação e passa a ser uma dor de cabeça para quem aposta em soluções mais simples.

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